domingo, 30 de dezembro de 2007

Que venha 2008

Bom, em Novembro não publiquei nada... dezembro não pode ficar assim também.

Todo mundo faz planos para o ano novo, todo ano. Nem sempre conseguimos fazer o que planejamos, mas planejar já é parte do bom caminho.

Em 2007, muitas coisas boas aconteceram por aqui. Nós finalmente terminamos toda a documentação da mudança, minha filha nasceu, terminei o mestrado... tudo num só ano. Para 2008 fica a aventura de criar uma nova empresa, continuar estudando estatística e matemática, programar muito e quem sabe terminar o livro de programação em Python, publicar pelo menos um artigo científico... Claro, isso tudo nos meus planos. Mas com certeza no final de 2008 ainda restarão algumas coisas por fazer :-) E isto faz parte do ano novo. Momento de repensar a vida e continuar tocando o barco.

Eu continuo pesquisando otimização de transferências em redes de alta latência, acho que virou um vício. Daí o aprofundamento em estatística e matemática. Continuo pensando em processamento paralelo e ainda acho que redes e processamento paralelo tem muito em comum. Espero que em 2008 apareçam novas soluções para resolver este tipo de problema, embora ache que soluções melhores só em 2010...

Em 2008, provavelmente vou poder testar o poder das GPUs para processamento paralelo, claro que isso é desculpa para comprar um novo monstro para os jogos :-), mas é também muito interessante. Uma das coisas que você tem de resolver quando diminuem suas horas diárias de TV é o que fazer com tanto tempo livre. Na dúvida, jogue WOW... é meu passa-tempo, destruidor de tempo livre preferido.

Um feliz e próspero ano novo a todos !

sábado, 27 de outubro de 2007

One Laptop per Child

Eu me tornei professor por acidente. No colégio, como era bom em matemática, sempre ensinava alguém... depois a coisa foi ficando mais séria. Comecei a ensinar matemática particular ainda no primeiro grau... aos 18 anos eu já era instrutor de cursos de programação. Acho que no primeiro curso eu ensinei Clipper :-)

Em 1994, virei professor de lógica e técnica de programação e também de linguagens de programação I e II. Professor de algoritmos, Cobol e C. Desde então passei a me interessar seriamente por educação e a me impressionar com a velocidade que as pessoas aprendem. Confesso que ensinar a programar não é fácil, aprender também não. Com um pouco de prática se melhora, mas nunca fiquei contente... continuo procurando novas formas de ensinar programação. Nos últimos anos, eu ensinei Python. Uma linguagem que gosto muito e uso no meu dia a dia.

Esta semana também caí por acidente na página do projeto One Laptop per Child. Eu já escutei muito sobre este projeto e resolvi ler um pouco mais. A comunidade técnica sempre reclama que não se pode fazer quase nada com o tal notebook entre outras coisas. Eles procuram desenvolvedores para a plataforma, que é Linux, mas rodando em uma máquina muito enxuta para os padrões de hoje. Não resisti, baixei a imagem e fiquei testando. Lembrei dos dias negros do Linux ao tentar configurar o teclado belga no X. Fazia tempo que não tinha tanto trabalho para configurar uma coisa tão besta. Depois de ignorar o texto da Wiki do projeto e de rodar o Qemu corretamente, a imagem funcionou com rede, mas ainda sem som. Bem, o som ainda não está funcionando, mas eu não conseguia mais esperar para testar o Invasores no OLPC, ou na imagem dele. E não é que funcionou sem alterar uma só linha!

Mais um ponto para o Python. Também, o OLPC é baseado no Fedora, mas usa uma interface gráfica diferente, o Sugar. Ainda estou resolvendo alguns problemas com o tamanho da tela do jogo, mas mesmo não rodando em tela cheia, o jogo funciona sem problema algum. Eu vou fazer um release só para o OLPC em breve.

Voltando ao OLPC, eles precisam de kits de programação, incluindo a criação de jogos simples. Como os fontes do Invasores são em português, tomara que ajude alguém a entender como fazer um jogo extremamente simples.

Algumas pessoas tem criticado o OLPC, resumindo o projeto a tecnologia do notebook. Mas lendo a wiki deles, percebe-se que a tecnologia é o foco atual, mas o objetivo do projeto é proporcionar uma melhor educação a milhões de excluídos. Muitos estão preocupados com problemas mais sérios, como a falta de professores nas escolas, energia elétrica e água potável. Isso também é real e muito importante. Minha única crítica é a busca incessante por balas de prata. O OLPC não pretende e nem vai resolver todos os problemas do mundo. Este projeto é mais uma contribuição, outras ações devem ser realizadas para melhorar a vida de todos.

Eu me identifiquei com o projeto, porque uma vez, conversando com amigos, nos perguntamos quantos talentos se perdiam com a miséria. Imagine só: você um gênio da programação, mas o único equipamento a que você tem acesso é um carrinho de mão. Qual é chance de por acidente descobrir seu talento? Quantos matemáticos, químicos, físicos e biólogos não perdemos com estas faltas de oportunidade?

Um computador para cada criança dará uma chance para milhares de crianças conhecerem a Internet, textos, sons e gráficos. Isto por si só já justificaria o projeto para mim. Se apenas 0,1% das crianças que receberem o notebook mudarem de vida, significa que precisaríamos de 1000 notebooks para salvar uma criança. Calculando os custos disso, vejamos US$250,00 x 1000,00 = US$250.000,00. Um quarto de milhão para integrar ou reaproximar uma pessoa da sociedade moderna. Uma pessoa com acesso a educação e trabalho pode reverter o ciclo de pobreza de várias gerações, eu já vi isso ocorrer várias vezes no Brasil. Eu também acredito que consigamos um sucesso bem maior que 0,1%. Para mim, muito promissor. Ainda que muitos notebooks caiam no mercado negro, sejam roubados ou simplesmente danificados em curto espaço de tempo, acredito que será uma marca na vida dessas crianças.

Uma coisa que deixou preocupado é a falta de Internet no Brasil. Os últimos números que li, traziam algo como 14 ou 20 milhões de internautas no país. Embora este número venha crescendo, ainda demonstra nosso atraso e má distribuição de renda. Quantas escolas públicas temos com acesso à Internet? Na década de 90, o problema era ter telefone. Agora é conseguir Internet. Em Manaus, a situação é crítica. Ainda se vendem planos de 200 ou 300Kb/s como banda larga. Precisamos urgentemente de Internet nas escolas. O OLPC sem Internet vai ficar bem limitado, mas isso não invalidará os possíveis ganhos do projeto. Precisamos de mais educação e de mais acesso a Internet. Um grande país tem grandes problemas. Meu sonho megalomaníaco é de transformar o Amazonas em uma nova Índia :-)

Como disse, não resolverá todos os problemas do mundo, mas é um esforço positivo. É muito importante criticar, visões diferentes sempre são bem-vindas. Só não esqueça que o projeto é sobre crianças e educação. O laptop é só um detalhe.

domingo, 9 de setembro de 2007

De volta à Azeroth

Tudo ia muito bem, mas depois da monografia sobrou muito tempo para outras coisas. Resolvi voltar à Azeroth. Depois de um mega download de mais de 500 MB, lá estava eu pronto para jogar novamente.

De cara, descobri que havia sido expulso do minha antiga guilda, ok. Eles não faziam raid, nos denominávamos uma guilda para ganking :-) Não prestavam pra muita coisa, mas era divertido perturbar a Horda. Todo fim de semana tinha raids às bases inimigas... inútil, mas divertido.

Bom, como fui expulso e também como não consigo mais lembrar o nome da guilda anterior, daí pode-se deduzir a importância que eles tinham para mim... resolvi procurar outra guilda. Desta vez, uma guilda que realmente funcionasse, que fizesse raids mais produtivas e me ajudasse a chegar no level 70, sem stress. Parece muito. Encontrei uma guilda portuguesa e lá estou eu agora no "Quinto Império". Com este post vai ficar mais fácil lembrar o nome da guilda, caso eu esqueça novamente.

Continuei seguindo o guia de leveling que os amigos enviaram... falando nisso, enviem o guia de 60 à 70, pois o que tenho acaba ainda no 60. No primeiro dia já achei um rogue maldito que resolveu me matar umas 3 vezes seguidas. Certas coisas são fáceis de esquecer, mas meu ódio aos rogues voltou bem rápido. Resolvi aproveitar o rested bônus, pois não jogava há meses... passei do 45 pro 47... estou indo bem. Fiquei muito irritado com o tempo de vôo dos passarinhos, mais uma prova de que WOW é passa-tempo mesmo! Ou melhor acaba-tempo. Deveria vir com avisos na embalagem, mas fazer o quê?

Esqueci que árvore de talentos estava seguindo e as magias do felino também... mas jogando essas coisas voltam a mente. Nem das minhas teclas de acesso rápido eu lembrava... muito tempo... Meu filho começou a perguntar o nome dos lugares e eu esqueci de muita coisa! Como pude fazer isso :-) Se não fosse o guia de leveling, eu realmente estaria perdido.

Um aviso para Horda: se tiver alguém com pouca honra no Spinebreaker, pode procurar o Predak, hunter, 47, fácil de matar :-) Agora ninguém mais da Horda ficará sem honra!

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Multitarefa e Multiprocessamento

Ao começar a escrever este post, lembro que julho foi um mês realmente atarefado, sem novos posts no JungleCoders. Mas foi um mês onde voltei a ler sobre as questões de hoje sobre multiprocessamento. Alguns anos atrás, havia menos processadores que usuários :-) Era a época dos computadores de grande porte ou mainframes.

Com a chegada do processador pessoal, iniciou-se a época do um para um, porém eram máquinas pequenas, com sistemas operacionais simples. Embora houvesse um processador por usuário, não havia sistema operacional, muito menos recursos no hardware, para suportar a troca de tarefas. Isso claro, para computadores pessoais, pois já existiam os super-micros e sistemas operacionais mais completos, como o Unix entre muitos outros. Com a evolução do Microsoft DOS e do próprio IBM PC, programadores começaram a se utilizar das interrupções de hardware para simular o multiprocessamento, eram os anos dos programas TSR (Terminate and Stay Resident). Quem nunca usou programas como Norton Guides ou Sidekick? Mas os mais populares eram os tais reloginhos que ficam no canto superior da tela. Todo programador DOS tinha que implementar um... Ok, o Mingo pode dizer que o Amiga já tinha multitarefa de verdade, mas poucos felizardos tiveram acesso a estes sistemas.

Para salvar a linhagem do IBM PC, surgiu o Intel 80286. Mas o pobre DOS continuava monotarefa, exceto pelos TSRs... A IBM lançou o OS/2 e renovou as esperanças de um sistema multitarefa para pobres mortais. Para empresas, o Novell Netware e variantes de Unix já existiam. Com a chegada do Intel 80386 a coisa ficou realmente séria e o Windows 3.0 começou a convencer que a multimídia seria o futuro. O novo sistema permitia que vários aplicativos rodassem ao mesmo tempo, mas não podiam ser mal comportados. Se uma tarefa resolvesse tomar conta do sistema operacional para si... descobríamos que se tratava de multitarefa cooperativa... era o fim. Novas versões do OS/2 surgiram com um novo termo, a tal multitarefa preemptiva. Com a preemptividade, o sistema operacional podia recobrar o controle da máquina, mesmo que uma das tarefas não contribuísse muito para isso.

Bom, o OS/2 nunca pegou realmente para usuários domésticos, sendo relegado a pequenos feudos corporativos e segundo lendas urbanas sobrevivendo até hoje em bancos. O Windows 95 trouxe a preemptividade para os sistemas da Microsoft e para nós, pobres usuários. O grande problema é que às vezes o sistema operacional travava... deixa isso pro passado :-) O sistema foi se estabilizando e agora temos outros tipos de problema. Máquinas domésticas passaram a ter 2 ou 4 processadores e sistemas como Windows XP e Linux têm dado conta da tarefa de utilizar os recursos destas máquinas, mas com uma restrição: se a aplicação é desenvolvida com um só thread, esta não pode ser distribuída para mais de um processador :-( Pode parecer pouca coisa, mas se você não tomar cuidado por ter a aplicação rodando mais lentamente numa máquina com dois processadores.

A grande questão hoje é como escrever programas para este novo mundo? Agora temos vários processadores para nossas aplicações, porem programar com threads ainda é muito difícil. Algumas pessoas acreditam que há necessidade de mudarmos a forma que programamos hoje. Outros acreditam em compiladores inteligentes, capazes de decidir que partes do código podem ou não ser executadas em paralelo. Apesar de não parecer grande problema, a Intel sinalizou que já possui processadores com 80 núcleos no laboratório. Imagine um dia ter uma máquina dessas e ter seu pobre programa rodando a apenas 1/80 do poder total da máquina :-) ?

Como nada é aceito por todos ao mesmo tempo, já existem várias abordagens para este problema. Uma delas é utilizar outras linguagens de programação, com paradigmas diferentes como Erlang ou Haskell. Meu pobre Python está longe disso. Segundo o Guido, a solução é utilizar vários processos e morar na casa mal assombrada dos IPC (Inter-process Communication). Pelo pouco que sei, Ruby anda pior ainda neste quesito. Java, C/C++/C# (*.net) estão bem, mas toda a dor de múltiplos threads fica para o programador.

Uma luz vem do mundo dos jogos, pois os processadores gráficos das placas de vídeo possuem mais de 30 pipelines. Rodando a mais de 500 MHz, estes processadores ficam sem uso quando não estamos jogando, um poder de processamento desperdiçado. Tanto a NVidia quanto a ATI prometeram publicar os compiladores para suas GPUs, mas já avisaram que a forma de programar é diferente.

Quem já trabalhou com IPC e threads sabe que o pode ser feito, mas não de graça. Como os softwares tem se tornado cada vez mais complexos, como resolveremos a questão de criar softwares capazes de aproveitar os recursos de multiprocessamento de nossas máquinas? Eu particularmente acredito na utilização de linguagens com novos paradigmas que propiciam a abstração dos threads, mas no fundo desejo que algo de novo surja na área de compiladores e que todos nós possamos continuar a programar como sempre programamos. Como nem só os computadores são multitarefas, eu resolvi acrescentar o estudo deste tipo de problemas a minha já enorme lista :-) Talvez eu troque meu sistema operacional...

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Linguagens, teclados e Ruby

Hoje, pela segunda vez esta semana, eu li um texto que me chamou a atenção sobre a hipótese de Sapir-Whorf, isto é, a maneira que a linguagem pode influenciar o comportamento e a forma de pensar das pessoas. Eu fiz um paralelo entre linguagens de programação e teclados.

Lendo sobre Ruby, fiquei observando os inúmeros símbolos e a freqüência que estes são utilizados na linguagem. Para um pobre coitado como eu, que usa um teclado Belga no trabalho e um teclado Francês em casa... os símbolos importam muito. O criador da linguagem Ruby, Yukihiro Matsumoto , utilizava provavelmente um teclado Japonês. Ok, é parecido com o teclado QWERTY ocidental... mas fica aqui meu registro quanto aos símbolos e linguagens. Lembro que li anteriormente um texto sobre como a @ foi escolhida como símbolo do e-mail e como alguns símbolos foram escolhidos no FORTRAN devido ao reduzido teclado da época (1956~1957) e depois usados por outras linguagens. Uma página que encontrei e que ilustra a dureza daqueles tempos pode ser vista aqui.

O "Mat" não teria utilizado tantos pipes("|") se estivesse usando um teclado francês ou belga :-). Eu estou estudando Ruby novamente devido ao RubyOnRails. Ando tendo novas idéias para sites e francamente, escrever em PHP está fora de questão. Eu continuo programando em Python. Eu acho Python uma linguagem muito mais clara que o Ruby, fora meu vício com a identação e meu ódio a chaves (antes mesmo de utilizar teclados estranhos) e end qualquer coisa. Talvez uma busca mais demorada no Google pudesse indicar outro framework para aplicativos web em Python. Mas meu problema de usar o Python para esta tarefa é que eu não quero utilizar vários frameworks, criando um monstro ainda maior, eu quero instalar um pacote único. Resolver o problema. Com Python, eu teria que utilizar vários pacotes com nomes de bichos e frutas que eu não sou doido suficiente para usar. Existem alternativas em Python amadurecendo, mas ainda longe do que eu posso obter hoje com o Rails.

Com certeza existe arte na programação, mas eu preciso testar algumas idéias rapidamente. Quando estas idéias são novos sites, fica claro que o belo cede lugar para o rápido, funcional e seguro. Eu poderia fazer alguma coisa em Java, mas eu estou realmente tentando diminuir a complexidade desta tarefa, reduzindo o número de frameworks no meu futuro site.

O César ainda não escreveu sobre Ruby e eu acho que não vou conseguir convencê-lo a escrever nada mesmo. Então vou aproveitar a necessidade e postar aqui um pouco do que vi diferente em Ruby.

Voltando a hipótese de Sapir-Whorf, fico analisando a forma como as pessoas pensam pela linguagem de programação que elas mais se identificam. É fácil, basta lembrar de um programador C++ e de um programador Java. Programadores em Visual Basic, Python, Perl ou PHP também invocam lembranças diferentes a minha mente. Embora todos sejam profissionais, sempre tem algo no comportamento destes que marca nossa lembrança, como uma característica e até mesmo como um novo estereótipo. Alguns programadores gostam de trabalhar com coisas difíceis ou coisas que os outros consideram difíceis.

Esses padrões de comportamento são também visíveis quando você aprende uma nova língua estrangeira. Quem nunca teve vontadade de dizer que o programa está correndo ?

sexta-feira, 1 de junho de 2007

The Internet Divide

Impressionante como as coisas voam...

Eu lembro quando consegui fazer meu modem de 2400 bps funcionar com a Connect or Die BBS... fim dos 80, início dos anos 90. Eu quase chorei quando vi os pequenos caracteres coloridos aparecendo no meu micro. Dureza, pois 2400 bps é algo realmente lento, mas na época era normal ter 1200 bps. Mesmo uma página em modo texto demorava para chegar, mas compensava. Pior era acordar meia noite, pois a BBS do Mingo só podia funcionar nesse horário. Estamos no Brasil dos monopólios, linhas telefônicas eram patrimônio e o Mingo havia negociado o telefone da família de meia noite às 06:00.
E só tinha uma linha. A conexão máxima era limitada a uma hora por dia e regras de upload/download ratio eram aplicadas (você tinha que enviar coisas para poder baixar...).
Imagens em 320x200... com incríveis 256 cores. Infelizmente eu ainda não tinha VGA... e sim uma placa EGA com monitor CGA colorido. Uma combinação que eu fiz questão de esquecer como consegui fazer. Mas o monitor fazia 640x200 e a placa fazia algo como 16 cores. Na verdade, a placa fazia até 640x350... mas meu pobre monitor não aguentava tudo isso.

Depois veio a BitNet e outro amigo que programava batches FTP de uma tal de Internet na Universidade Federal (a conexão lá era de alucinantes 9600 bps) para baixar alguns arquivos mais interessantes. Em 1994, já usávamos modems de 14400 bps, mas sofríamos com os inúmeros raios. Até hoje eu desligo o micro se escutar um trovão e evito usar em dia de chuva. Meu tio conseguiu comprar uma hora de Internet na Mandic BBS em São Paulo... tinha que pagar o interurbano, mais US$30,00 por hora se não me engano. Nosso objetivo era baixar um programa de engenharia naval, que ele vira num revista inglesa. O problema é que o arquivo era enorme... coisa de 250 Kb. Demoramos várias horas para baixar o programa, mas incrivelmente ele veio da Inglaterra para nossos disquetes.

Hoje, fui informado que estão vendendo Internet a 50 Mb/s na França. Fico imaginando as possíveis aplicações de tanta banda e rio lembrando do que passamos para baixar os pequenos arquivos. No Japão, parece que a coisa está ainda melhor. Mas 50 Mb/s já é muita coisa.

Lembrando do Pirataria pra quê, eu valorizo mais meu tempo. Tudo que me passa inicialmente pela cabeça seria baixar grandes quantidades de arquivos MP3, DVD, coleções com 1200 livros e coisas do gênero. Ai lembro de experiências anteriores, com bandas e volumes menores e no que resultou... e desisto da idéia.

O que realmente me preocupa é o Internet Divide. Em alguns lugares do Brasil já temos Internet realmente rápida, mas a grande maioria não consegue chegar em 1 Mb/s. Lembro dos dias na selva, ano passado. Eu brigava para ter um pobre ADSL de 600 Kb/s funcionando. Quando o canal funcionava, até que era bom para navegar. Ruim para baixar arquivos. Quando tinha um problema, pode ter certeza que era algo como 1 semana tendo raiva.

Esses tipos de restrições limitam nosso uso de Internet. O Internet Divide fica cada vez mais claro e a distância de países ricos também.

Eu acompanho meus filhos usando a Internet hoje. Nada de páginas estáticas! Eles querem vídeos e músicas on-line. Eu lembro que isso era realmente difícil na Selva. Para ver vídeo, tinha que baixar tudo primeiro. Até os banners hoje passam vídeos. Não esqueço da minha filha, de cabeça baixa esperando a página em Flash do site da Barbie carregar. O botão de reload/refresh era algo que ela já sabia usar.

Mas o grande problema com o Internet Divide é que não seremos incluídos nas próximas ondas de tele-trabalho e de outsourcing. Quando eu trabalhava no Brasil, lembro de reuniões onde tínhamos que explicar nossas latências de 400 ms... coisa inimaginável nos EUA ou na Alemanha. Já na época, isso impedia o uso de VoIP. O Skype melhorou isso, mas sempre estamos atrás. Quando a Internet deixará de ser encarada como artigo de luxo e sim com a mesma importância da energia elétrica?

Eu vim de uma cidade de 1.5 milhões de habitantes, mas estrangulada de todas as formas em relação a Internet. Além do isolamento geográfico natural, fomos excluídos do mundo digital de primeira linha.

Olhando para o presente, entendo como ficamos para trás em outras ondas de desenvolvimento. Demoramos para ter escolas para todos. Demoramos para entender que um país precisa ter políticas sérias para poder crescer. Ainda não exploramos nosso imenso potencial humano. Gente excluída pela pobreza e pela ignorância.

Internet não é luxo. Internet não é tudo. Mas Internet é muito importante. A velocidade de um canal e seu preço podem decidir entre instalar um novo negócio em uma cidade ou país. Negócios geram emprego e riqueza. O acesso a informação deveria ser encarado mais seriamente.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Um lugar chamado Brasil

Comecei a aceitar que vim de uma terra desconhecida. É interessante saber que muitas pessoas desconhecem o Brasil, não só internamente, mas principalmente no exterior.

No supermercado até se acham guias de viagens ao Brasil, mas a viagem já é outra história. É intrigante, pois conseguimos esconder um país com quase 200.000.000 de habitantes, o quinto maior do mundo.

Eu sempre observo a origem das coisas que compro aqui. Já consigo comprar limão do Brasil e uvas sem caroço, produzidas na Bahia.

Ah, sempre tem camarão no Carrefour, vindo do Brasil é claro. Inclusive, camarão aqui é mais barato que na selva. Eu não entendo de logística, mas Manaus sempre foi cara por ser longe de tudo. Agora, como é que conseguem enviar camarão para a Bélgica, pagando-se sabe lá que taxas e fretes. Não deve ser fácil, pois o produto se estraga facilmente... mesmo convertendo para Reais, aqui é mais barato: compro o quilo por €6,00. E não é micro-camarão, mas camarões médios. Mistério :-)

Mas se sair do Brasil é complicado, voltar é mais difícil ainda. Vôos só via Paris, Londres, Lisboa ou Frankfurt. Pacote turístico, difícil de achar. Eu consigo passar uma semana em hotel de luxo na República Dominicana, mas barato que ir para São Paulo e dormir no aeroporto... O produto Brasil é muito mal vendido. Indisponível, caro ou perigoso. Vou ignorar o turismo sexual.

Além dos pacotes turísticos escassos, nossos produtos não são bem identificados. Eu aposto que boa parte do café daqui vem do Brasil, mas nesses casos a embalagem só identifica a marca. Quando o café é da Colômbia ou Equador a coisa muda.

Cada vez mais aceito que vim de um lugar realmente distante :-) A língua portuguesa é minha vingança por não falar francês corretamente, ainda. Como muitos não estão acostumados a ouvir e como o sotaque do brasileiro soa suave para eles, fica parecendo um dialeto de alguma língua próxima do francês. Eles tentam entender, mas demoram para perceber que é outra língua.

Poucos tem noção de nossa cultura. Eu achava que isso só acontecia nos EUA. Para americano, tudo é América Latina, logo deve-se falar espanhol e assim vai. Mas na Europa se tem este tipo de problema também. Andei viajando a trabalho por aqui e vi que a situação não muda muito.

Eu acredito que a resposta para isso é o tamanho real do Brasil. Nosso país é grande, mas não consome proporcionalmente e ainda estamos engatinhando em termos de comércio mundial. Claro, tolos os estrangeiros que ignorarem o Brasil para investimentos, com certeza ainda somos uma mina de outro. Mas esse "desconhecimento" da população em geral é porque falhamos em vender nossa cultura.

Exemplos típicos de documentários sobre o Brasil:
a) Samba e Bossa nova: normalmente antigos ou focando a pouca roupa das meninas do Samba.
b) Pobreza urbana e rural: de todo tipo. Eu estava lendo umas páginas sobre um jornalista inglês. Ele viajou para Manaus e claro identificou o "filé" da cidade.
c) Destruição da Amazônia. Nessa época de revival da ecologia, isso fica cada vez mais presente. Somos os destruidores da maior floresta que sobrou no mundo, porque os outros já destruíram as suas... até nisso ficamos por último. Mas desta vez, ficar por último ou com a última floresta é motivo de orgulho.

Nada contra mostrar nossa realidade, mas esta é composta de pessoas pobres e de outras pessoas também. Existe o Brasil industrial, o Brasil da tecnologia, etc. Acho que estou exagerando, afinal, ninguém é obrigado a entender de geografia e principalmente do país dos outros.

Meu desejo é que o Brasil começasse a vender mais para o exterior e que a riqueza fosse melhor distribuída. Mais negócios, maior o interesse em conhecer o Brasil. Mas para isso acontecer, teríamos que tirar 100.000.000 de brasileiros da linha de pobreza. Consumimos pouco pois muita gente é pobre. O mercado é grande em números, mas modesto em poder de compra. Muita gente ainda trabalha para tentar comer, quando trabalha.

Na verdade, somos nós brasilieiros que não enxergamos o próprio país. Aceitamos a pobreza absoluta em nossa volta e muitas vezes a ignoramos. Lembro de uma favela bem atrás do Studio5. Crianças ricas, comendo a pipoca de ouro do Cinemark e ao atravessar a rua: crianças pobres, olhando. A violência só aumenta, principalmente no quesito crueldade. O que será que fizemos de errado?

O problema é grave. Uma prova disso é pegar o site de uma grande empresa americana. Digamos, a Best Buy. Procure um loja da Best Buy em um raio de 50 Km. Provavelmente várias lojas aparecerão. Faça o mesmo com outras grandes lojas no Brasil. Exclua Rio e São Paulo e veja como a distribuição é diferente. Vazio de consumo.

Sempre melhoramos, isso é verdade. Mas por que o México e outros países da América Latina estão melhorando mais rápido?

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Do Jaca ao Java

Em Python your Life, eu disse que não gostava de Java. E realmente não gostava.
Conheci Java no Internet World 1996, no Rio de Janeiro :-) Minha última visita a cidade maravilhosa. Solteiro, com algum dinheiro no bolso... ah... Copacabana e os barzinhos do Rio... putz, lembrei que já em 96 eu deixei o relógio em casa, com medo de assaltos. Mas o Rio é lindo.

Bem, a Sun apresentou o Java e principalmente as diferenças entre o Java e o JavaScript. Eu tinha um pequeno provedor em Manaus e usávamos um servidor Sun. Eu sofria para escrever os programas do provedor em C++, lembro que passei 2 semanas para achar os arquivos binários do GCC para microSparc... viva o Google (naquela época o melhor era o AltaVista). O Java era grátis e o compilador da Sun custava uns US$3.000,00 (sem os manuais...), me apaixonei por Applets e por um bom tempo Java era só Applets.

Mas para mim, a linguagem nunca fora nada mais que um C++ disfarçado. Eu não tinha problemas com ponteiros, até achava normal trabalhar com eles e ter seg faults aqui e ali :-)
O problema é que na época eu não via nada além disso. Por que fazer algo em Java se eu já tinha minhas bibliotecas em C e C++? Não era tão claro para mim as vantagens de ser multiplaforma. E Java 1.0 ninguém esquece... No Windows, eu tinha o Delphi e no Linux tinha também o C/C++, era só recompilar. Para mim, o Java ficou sendo uma forma legal de enriquecer home pages com applets ou de deixar meus CGIs mais lentos que em C/C++.

O tempo passou e a linguagem Java se popularizou. EJB, Java 2, Hibernate e Tomcat foram aparecendo. Mas nesta época eu já não estava mais programando e sim gerenciando. Perdi o desenvolvimento do Java.

Só considerei Java seriamente no Desktop depois de ver o Eclipse e sua biblioteca.
Depois começamos a fazer programas para um cliente no exterior, usando Java e o BEA. Comecei a gostar, mas realmente fiquei preocupado quanto a produtividade dos programadores, precisava de muito framework para fazer algo funcionar. Programador Java não ganha pouco, graças a Deus :-) Haja máquina e dinheiro com licenças... um estagiário começou a trabalhar com Tomcat e o tigre comeu o pobre rapaz :-) Não foi um recomeço amigável. Nesta época eu comecei a chamar Java de Jaca. Era grande e ninguém conseguia comer sozinho :-)

Ano passado, eu comecei a desenvolver um aplicativo novo para Web, usando Ajax e múltiplos Threads. Adivinhem que linguagem eu escolhi para desenvolver meu pequeno monstro? Java. Fiquei impressionado com as melhorias do Java 5, principalmente com templates e operações com lista. A biblioteca da linguagem também é excelente, fora o Eclipse com seu preço amigável. Criei o servidor e este passa muito bem. Inclusive, migrei alguns utilitários de baixo nível escritos em Visual C++ e .Net para Java. Semana passada instalei o servidor pela primeira vez no Linux e ficou muito bom, não precisei alterar nada. Troquei o banco de dados de MySQL para Firebird 1.5 e depois para o Firebird 2.0. Não precisei mudar quase nada, graças ao Hibernate.
Ok, o servidor usa uns 47 MB de Ram só para ele... mas um pente de 512 MB custa uns €30,00. Eu custo bem mais caro. Entre comprar o pente e perder meus cabelos debugando código reentrante em C++... prefiro comprar o pente :-)

Já estou usando o Java 6, não precisam ficar preocupados.

Assim fiz as pazes com o Java. Desculpas aos pobres coitados que quiseram vender Java para mim antes, dou o braço a torcer. Vocês tinham razão. Mas que era uma Jaca, era.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Bandeiras de software

Tecnologia precisa de razão ou motivo para se utilizar? Digo, tecnologias são como bandeiras? Ou como time de futebol?

Eu explico. As bandeiras de software são como vejo questões sobre tecnologias sendo defendidas como o time de futebol do coração. Alias, acho que escolhemos um time de futebol por diversas maneiras: o pai torcia, gostava da cor, ganhou o campeonato quando você era criança...

Eu torço pelo Grêmio, campeão mundial em 1983. Não lembro de jogos de futebol antes da final do campeonato no Japão. Mas nunca fui fã de futebol... só lembro disso em copa do mundo.

Eu uso Linux há bastante tempo, de verdade desde 1996. Mas antes já tinha comprado uns disquetes do Mingo, com o tal Unix de um só disco... e oito terminais!

Eu defendo o uso racional de tecnologia. Nem sempre Linux é bom.

O mesmo acontece com orientação a objetos, sistemas operacionais e linguagens de programação. Se houvesse uma só resposta para todo tipo de problema que estas tecnologias podem resolver, não haveriam tantas tecnologias.

Os problemas mudam, as pessoas que tem os problemas também. Cada caso exige uma análise particular que resultará em soluções também particulares.

Penso em linguagens como Delphi. Na empresa que trabalho, reina o C++ e o Java. Mas existem guerreiros do Delphi. Hoje mesmo eu estava resolvendo um problema com JNI, em outro laboratório. Eles perguntaram por que eu havia escolhido fazer o novo servidor em Java?

Pensei um pouco e respondi que conhecia Delphi, mas que o servidor era uma coisinha com múltiplos threads, acesso a banco de dados e inúmeros candidatos a problemas de concorrência. E para este tipo de problema, o Java é excepcional.

Se eu tivesse que desenvolver algo do zero novamente, eu teria que pensar no problema, antes de escolher a solução. Java não é bom para tudo.

No caso do Linux, temos os guerreiros do Ubuntu, e eu estou para entrar nesse exército. Eu realmente gostaria de ter um desktop Linux hoje. Na realidade, meu computador tem dual-boot, mas para acessar a Web e trabalhar, eu ainda uso o Windows. O Linux fica para minha pesquisa e para alimentar meu nerdismo.

Por outro lado, eu quase que não hesitaria em ter outro servidor Linux. Acho que para servidor Web, SVN, email, etc não tem solução melhor que um bom Gentoo. Mas eu já prescrevi Windows para empresas que tinham dinheiro para isso, mas não para contratar um administrador Linux. Não adianta ter Linux se a cultura da empresa é Windows. Mais batalhas...
Pensando em um novo produto de software. Qualquer um. Você escreveria este para Linux ou Windows? Eu escreveria para Windows, pois acho que o dinheiro ainda está com quem usa Windows. Fica aqui meu protesto contra os piratas que abrem a boca pra esbanjar as versões mais recentes do Sistema Operacional, mas que se recusam em pagar por isso. O Linux sempre foi muito claro para mim. A maioria das empresas em que trabalhei caia para trás quando era informada dos custos reais de software. Era quando o Linux tinha uma chance. Onde o Windows custava menos de R$10,00: sem chance. Não pelo Linux ou pela Microsoft, mas pela minha responsabilidade como profissional de informática, isso sim é uma bandeira que eu defendo!

Ainda assim, sou contra defender o Linux como uma bandeira. Eu também não defendo o Python para qualquer tipo de programa. Quanto mais nos especializamos, temos a tendência de encaixar as coisas dentro daquilo que já conhecemos. É nessa hora que a mente deve permanecer aberta.

Como eu sou um cara esquecido, acabo tendo que rever tudo de novo, sempre. Às vezes não ter memória ajuda :-).

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Do mercantilismo à indústria de software

Sempre me pergunto: o que falta para tanta gente talentosa em nosso país realmente fazer dinheiro com informática. Já trabalhei com muita gente boa que sempre corre atrás de dinheiro, seja num emprego fixo ou em contratos de curta duração.

Por que estamos sempre vendendo mão-de-obra e nosso tempo? E por que tão poucos investem em produtos? É estranho um país do tamanho do Brasil ter poucos produtos de uso global. Há gloriosas exceções, mas são muito raras. Li um post muito interessante no Blog do Mesquita sobre bananas e bananada. Esta estória pode nos dar algumas idéias.

O que será que nos falta para sermos empreendedores de fato? Lembro que empreendedorismo foi uma das matérias que mais gostei na faculdade. Na época, era o auge da Internet e da das .COM. O curso falava boa parte do tempo em plano de negócios.

Planejar a empresa é algo muito bom e o plano de negócios ajuda neste sentido. Mas em 2000, pensava-se realmente grande. Grandes sites web com novos serviços, mas que precisavam de milhares de reais para entrar no ar... E o plano de negócios abria as portas dos investidores de risco. Eles investiam dinheiro no novo negócio em troca de ações, melhor que fazer empréstimo em banco. No empréstimo de risco, se tudo for por água abaixo, a empresa fecha e pronto. Se tudo der certo, os investidores recebem o que investiram e claro parte dos lucros (a maior parte :-). O plano de negócios podia ser mais importante que a idéia... deu no que deu. Eu espero que os problemas com a bolha não tenham enterrado de vez o sonho empreendedor de muitos. Esse modelo chegou a funcionar até no Brasil. Não sei se isso hoje ainda acontece lá. Nos EUA, está voltando a acontecer, desta vez com mais pé no chão.

Voltando no tempo...

Eu comecei a ganhar dinheiro com computadores quando tinha 12 anos. Brincava com eles desde 1984... mas depois comecei a vender em casa papel para impressora, etiquetas adesivas, disquetes e o incrível Picotex. Estávamos em plena reserva de mercado, governo militar etc. Eu achava que para ser presidente tinha que ser general, depois alguém me explicou que não era bem assim :-) Nesta época, havia computadores brasileiros como o TK90X, TK2000, EXATO CCE, UNITRON e outros brinquedos raros. Imagine como era isso em Manaus... nos anos 80! Oportunidade para um menino ganhar um pouco de dinheiro e com isso comprar mais disquetes...

Eu tinha um amigo, o Mingo, que sempre teve uma visão empreendedora. Eu aprendi muito com ele. O Mingo sempre estava vendendo alguma coisa, depois começou a escrever programas e a distribui-los em disquete. Na época, sem Internet, a coisa era realmente muito mais difícil. Um dos programas você pode conhecer aqui: Mingo Assembler.

Antes havia o problema da distribuição, quem aceitaria vender software? Gravar os disquetes ou CD-ROM e fazer a caixa de papelão era muito caro, especialmente em pequenas quantidades. Na época, o software ainda vinha com o manual impresso, mais um custo. Hoje com a Internet isso não existe mais. E melhor, pode-se alcançar não só todo o país, mas todos os países do mundo.

Eu acredito que o problema é ainda estarmos vivendo a era comercial do software. Se pensa em um programa de controle de estoques ou um que controle uma pequena loja. Normalmente, o sonho não vai além de conseguir alguns clientes e viver da manutenção do software. Estamos comercializando nosso tempo e entregando-o de porta em porta.

Por que não pensamos em produtos?

A falta de pensamentos deste tipo condenaram países como Portugal e Brasil a um atraso de desenvolvimento em relação a outros países. Nós exportávamos o nosso açúcar, mas quem ganhava mais dinheiro eram os holandeses, que refinavam e vendiam por toda Europa. O risco de manter as colônias era todo nosso, o lucro deles. Se procurarmos em nossa história, sempre foi assim. Trabalhamos muito, mas não somos os que mais ganham com este trabalho.

Será que o mesmo vale para o Software? Eu vejo o modelo indiano e fico assustado. Eles possuem muita gente boa em software. Mas eu ainda não conheço grandes empresas indianas! Ou melhor dizendo: grandes produtos indianos. Existem grandes empresas de consultoria e de desenvolvimento off-shore, mas e de software como produto? Eles estão nas melhores universidades do mundo, gente com formação não falta. Trabalham em empresas como Google e Microsoft, gerando os produtos que usamos e compramos hoje, mas fazem isso nos EUA. Sucesso para eles, oportunidade de mudar de vida tem que ser aproveitada, mas o grosso do dinheiro fica nos Estados Unidos. Tio Sam sabe vender e ainda bem que os chineses ainda não aprenderam a fazer isso sozinhos, mas eles estão chegado lá.

O modelo brasileiro é diferente, pois não exportamos serviços de informática. Ou melhor, não exportamos como poderíamos. Sabemos fazer, não vendemos muito e tem pouca gente de fora querendo comprar.

No meu emprego anterior, nós fazíamos software para empresas nos EUA e Europa. O problema é que um dia, estas empresas deixaram de fazer negócio conosco. E advinhem, nenhum produto foi desenvolvido durante todo o tempo de parceria. Nada ficou conosco.

Esse é o problema de se vender tempo e talento. No final, quase nada sobra. Ok, cria-se gente muito bem treinada e experiente, mas no final das contas isso se transforma em custos e obrigações que você não pode pagar sem um produto. Iniciasse o ciclo novamente, em busca do próximo cliente, do próximo projeto. Isso ocorre em vários lugares.

Nos últimos anos, a coisa parece que piorou. Eu ouvia mais sobre produtos de software na Manaus dos anos 80, do que hoje. E fico preocupado. Será que deixou de ser interessante?

Aqui na Bélgica, devido ao alto custo de mão-de-obra, as grandes consultorias são as únicas a fazer dinheiro com software customizado. As pessoas pensam em produtos, porque o custo de suporte é muito grande e o de desenvolvimento maior ainda.

A indústria de software ainda não é tão comum na Selva, mas encubadoras de empresa não param de surgir. Conversando com amigos, ouço a pergunta: se eu fizer isso, será que vende?
Navegando pela Internet, pode-se perceber que vende-se de tudo. É uma questão de quanto e se será o suficiente para mudar sua vida. Mas se vamos continuar tentando, por que não tentar na direção certa?

Não é fácil, eu sei. Mas parece ser mais um daqueles problemas de falta de fé, autoconfiança. Software é algo que eliminou várias barreiras como distância e distribuição. Os brasilieiros podem competir com qualquer outro povo do mundo. Isso é raro e não estamos acostumados a acreditar que podemos bater de frente com eles. Mas tem que acreditar.

Eu já tive duas empresas. Eu vou morrer tentando. Brasileiro não desiste mesmo.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Python your life

Eu sou um cara esquecido. Eu realmente não lembro certas coisas, mas outras eu não esqueço.
Uma vez, ainda no final dos anos 90, putz esqueci em que ano foi... um amigo de faculdade comentou sobre uma tal linguagem "píton". Ele disse ser super prática, muito boa, mesmo sendo script.

Na época eu já trabalhava com Linux e qualquer coisa para ajudar era bem vinda. Baixei o tal do Python e fiz o tradicional imprima os primos, usando listas, claro! Depois um aplicativo para procurar arquivos repetidos no HD. Foi o suficiente para me libertar de Perl, até então a melhor coisa do mundo script para mim.

Passei um tempo sem usar a linguagem. Acho que até 2002, quando um grupo de amigos do trabalho iniciou uma discussão sobre jogos de computador. Como todos eram técnicos, o assunto não era o jogo em si, mas a tecnologia por trás de um jogo. Especificamente, o que mais interessava ao grupo era escolher a melhor linguagem para se codificar um jogo. Como esse tipo de coisa é tão exato quanto religião ou política... resolvi sugerir que cada um tentasse fazer um jogo simples, com a linguagem que achasse melhor.

Eu não gostava de Java, depois explico o por quê. Comecei a brincar com Delphi, que estava a mão na época. Sempre programei em C e não precisava de outro teste para saber o que eu já sabia: C é bom, mas tem coisa melhor hoje em dia. Lembrei da tal linguagem da cobra, o Python (segundo o criador da linguagem, Guido van Rossum, pronuncia-se "Paiton" filme legenda).

Usando Python e Pygame, iniciei um pequeno "shoot them up", tipo Space Invaders, afinal era pra ser um jogo simples. E se o Space Invaders original rodava num Atari com 1 MHz... rodaria em qualquer linguagem script séria.

Comecei desconfiado, testando a performance do pequeno monstro que estava criando. Fiquei surpreso ao constatar que a performance era mais que suficiente para o que eu queria.

A linguagem é realmente interessante: fácil de aprender, multiplataforma, com acesso a todo tipo de bibliotecas de sistema, banco de dados e até jogos! Continuei fazendo o pequeno jogo. Gráficos, sons, suporte a joystick, alteração dinâmica de resolução e suporte a várias línguas. Um jogo realmente simples. Você pode ver o que eu criei em http://invasores.sourceforge.net/.

Quanto aos outros colegas, um iniciou um jogo em Java, acho que até foi em J2ME... mas não chegou a ter cores. Outras tentativas não deixaram rastros. Agora eu tinha provas que Python era boa, não pela superioridade pura e simples de sua simplicidade, mas porque com ela eu podia fazer mais em menos tempo. Produtividade enfim.

Antes eu havia usado o Python para converter banco de dados e realizar operações com arquivos. Desde a experiência com o jogo, eu uso Python para todo pequeno utilitário que eu preciso. E não me surpreendo quando acho outros programas muito bons escritos na linguagem. Esses tempos mesmo, escrevi utilitários para fazer a carga de arquivos CSV para um banco MySql e gerar tabelas em Latex.

Além do poder da linguagem, sua clareza é realmente impressionante. Os tais blocos por identação atenderam a um desejo que eu tinha há muito tempo. Misturar tabs e espaços é complicado, eu sei, mas quando se consegue fazer certo... consegue-se um programa limpo e fácil de ler. Se você consegue ler, consegue aprender.

Eu ensinei lógica de programação para alunos do ensino médio e para algumas pessoas na faculdade. Era terrível ler um programa "desdentado". Mais difícil ainda convencer as criaturas da importância de um código limpo. Esse problema não existe com Python. Será executado como lá está escrito, ou melhor, como se vê. Eu realmente gosto da linguagem.

Além disso tudo, a linguagem vem com todos os acessórios, incluindo-se uma ativa comunidade lusófona em PythonBrasil. Só não aprende quem não quer.

Eu continuo programando em C++ e Java, mas a outra é Python.

Cada um sabe onde seu calo aperta. Python não é bala de prata. Mas como não existe lobisomem... Python your life!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Capitães Format, Windows Wizardry

Capitão Format é uma forma gentil que eu encontrei para chamar alguém com soluções simples e práticas, ainda que nem sempre racionais.

Antes de tudo, eu uso Linux e Windows. Gosto dos dois e falo bem e mal dos dois também. Então não entenda este post como uma declaração de guerra.

O termo vem da facilidade que o suporte técnico de algumas empresas têm em "condenar" seu Windows. Computador lento ou travando, não tem outra solução: format !
Há variações conhecidas: antes de formatar, claro, todos os seus problemas são devidos a um vírus letal e desconhecido.

Acho que alguns até tem um certo fetiche em instalar e reinstalar o Windows. Tudo muito bom, mas o que me intriga é fazer isso de forma quase automática. Um dos sintomas de Capitão Format é resolver tudo com um boot e depois com Format, claro. No Windows essa solução até que é bem normal, mas já vi isso acontecer com Linux.

O Linux é um sistema normalmente bem comportado. Salvo alguns momentos geniais que você derruba serviços aleatórios e essenciais ao bom funcionamento do sistema, o Linux não precisa de reboot. Eu mantive e ainda mantenho alguns servidores Linux. O que acho mais engraçado são as sugestões do tipo: o servidor X não está funcionando, posso dar o boot?

Às vezes funciona. Mas no Linux, você corre o risco de derrubar todos os usuários, todos os serviços, esperar o sistema rebootar e voltar com o mesmo problema. Ainda bem que pouquíssimas vezes ouvi alguém dizendo para formatar o Linux... mas voltando ao Windows e defendendo alguns Capitães Format que conheço...

Quando o homem não dominava o plantio de alimentos, vivíamos como nômades, mudando de um lugar para outro, tão logo o alimento se tornasse escasso. Não tinha outra solução, pois realmente não se sabia como plantar. A mesma coisa acontece com o Windows. O sistema é tão complexo, pois roda ou tenta rodar em qualquer coisa que fica difícil realmente entendê-lo.

O Windows sofre de excesso de integração. Tudo roda junto, tão junto quanto cartas num castelo de cartas. Instale dois browsers e eles competirão para ser seu browser padrão. Desinstale um software e padeça com seus restos no registry para sempre. Não é questão do Linux ser melhor ou pior, mas como foi desenvolvido por pessoas diferentes, acaba tendo certas barreiras corta-fogo para estes casos. E o que fazer quando se tem um problema, mas nenhuma solução racional para resolvê-lo? Format!

O Format reinstala o sistema e deixa tudo pronto para que em dois ou três meses você estrague tudo de novo :-) Mas é a vida. Nada dura para sempre, muito menos a sanidade do seu Registry.
Seja bonzinho com o pessoal da Rede, pois como os nômades de nossa pré-história, a única solução é construir outra casa. O problema do Windows é que a casa sempre é feita no mesmo lugar :-)

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Pirataria para quê?

Fico pensando em quantos softwares alguém consegue dominar.

Lembro de amigos super equipados. Na mesma máquina: CorelDraw, Photoshop, 3D Max, Autocad, etc. O mesmo para outros tipos de programas, fora a centena de jogos instalados. HDs de 300 GB lotados de tudo que se possa imaginar...

A resposta para isso pode ser pirataria ou pura falta do que fazer. Eu conheço pouca gente com tanto dinheiro para ter todos estes programas ao mesmo tempo. Mas pode-se consegui-los em algum torrent da rede... ou pelo jornal com entrega a domicílio.

Não vou entrar no mérito de copiar ou não copiar, é ilegal e pronto.

O fato que realmente me preocupa é o tempo gasto para se tentar aprender (não por muito tempo, pois logo surge outra novidade) e o vício (compulsão) que algumas pessoas desenvolvem. Saiu versão nova? Tenho que ter! Muitas vezes a tal versão nova não trás nada de novo para o trabalho que a pessoa faz. Mas é um ritual: servos do setup, escravos do DVD e do CD-R.

O mesmo acontece com filmes. Certa vez eu administrava uma rede local. Um certo dia, analisando os registros de acesso vi que a utilização de Internet no escritório tinha sido máxima durante toda madrugada. Um certo sujeito resolveu baixar um filme, lançamento claro, utilizando um software P2P qualquer. A qualidade do filme era um lixo, mas o importante era baixar a imagem e gravar em disco o mais rápido possível. Além de utilizar a rede para fazer besteira, o software estava mal configurado e transformou nossa rede num difusor de pirataria. Gente do mundo inteiro se conectava e a fonte era na nossa rede. Mas ok, o susto passou e o programa foi removido. Quantas vezes o cara assistiu o tal filme? Acho que nunca, pois a versão era em inglês e ele ainda ia procurar a legenda. O importante era baixar, gravar, etiquetar e por na estante. Criar quantidade, ocupar espaço. É interessante como isso pode se tornar um passa tempo.

Todos temos vícios. Eu jogava World of Warcraft, para variar... quando no chat da guilda o assunto foi o filme 300. Um dos "guildies" comentou o excelente filme: vale a pena pagar os £10 para ir no cinema. O servidor que jogo é na Inglaterra, só para não pensar que esse mal existe só no Brasil. A questão era baixar o filme ou o torrent. Direito autoral ou qualquer outro assunto ficaram fora de questão. Eu fiquei tão curioso que resolvi assistir ao filme. Paguei €13,00 num pacote de 3 ingressos, gastei 2 (levei a esposa) e fiquei com um para ver outro filme. O filme é realmente muito bom, mas nem por isso resolvi chegar em casa e baixar o torrent. Pelo contrário, comecei a pesquisar na Wikipedia e terminei por achar um site que separava Realidade x Ficção (um FAQ aqui).

Eu decidi ir ao cinema a tarde e uma hora depois eu estava no cinema, assistindo ao filme com som THX. Tudo muito rápido. O ponto é: quanto tempo eu gastaria para baixar o tal filme? Mesmo com banda larga, dificilmente o torrent chegaria a velocidade máxima... eu imagino que eu demoraria de um a dois dias no melhor do meu otimismo... Agora, quanto vale o meu tempo? Minha esposa foi ao cinema comigo e ganhei alguns pontos com isso :-) Tenho certeza que ela não toparia assistir ao filme no micro. Mas, usando meus custos por aqui: 48 horas de micro ligado... um consumo de uns 200W... mais a mídia do DVD para gravar o filme... mas o tempo de gravação (ok, é bem rápido, mas não vou deixar de fora :-)). Se tudo desse certo, quanto isso teria me custado? Acho que no final eu fiz um bom negócio. Eu faço este tipo de avaliação antes de fazer qualquer coisa. Mas cada um é cada um. Se eu não tivesse os tais €13... se o cinema próximo de casa não tivesse som THX, se a sessão fosse mais tarde...

Outra coisa que eu penso: o que dizer aos meus filhos sobre o tal DVD? O que se diz nestas horas? É pirata, mas não faz mal a ninguém? É ilegal, mas não conte pra ninguém? Quando se tem filhos, este tipo de questão passa a vir a tona. É difícil educar uma criança dizendo faça o que eu digo e não faça o que eu faço.

Falando em filhos, meu filho pediu um video-game. Nada menos que o PlayStation 3... suei quando ouvi o pedido. A super-máquina custa €600,00. Ok, é um leitor de Blue-ray + DVD + um micro e um vídeo game de brinde. Mas cada jogo custa entre €55 e €60! Acho que ele vai ter que escolher outro presente, é simplesmente muito caro a longo prazo. Talvez um Wii ajude nos custos...
Vejamos o outro lado. Os cálculos pra um vídeo game, utilizando-se os dados de qualquer jornal do Brasil: vídeo game (PS2) + ou - R$1000,00 (com chip, claro), jogos entre R$10,00 e R$20,00 :-( Temos uma indústria marrom só para sustentar esse tipo de coisa. Já imaginaram quanto dinheiro isso gera? E como esse dinheiro é usado? O pobre do camelô é mais uma vítima. Quem ganha dinheiro são as pessoas que distribuem esses produtos. Outro efeito é que uma criança que recebe uns 5 CDs ou DVDs de jogos de uma só vez, provavelmente não terminará de jogar nenhum deles. São tantas opções que ela troca rapidamente de um jogo para outro, sem foco. Em um mês ou dois, provavelmente estará pedindo outros jogos.

Acredito que seja a mesma coisa que acontece com adultos. Windows Vista? Tenho que ter! E se recomeça o ciclo.

Resumindo, a meu ver, pirataria é perda de tempo. Eu gostava quando os CD's vinham com a letra das músicas e quando software tinha manual impresso. Acho que estou ficando velho. Mas dizer o quê? Sobrevivi a selva e lá isso já foi importante.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

E era uma vez em Azeroth...

Não lembro muito bem a ordem dos fatos, mas lembro que um dia falávamos sobre MMORPG
e como sempre, um amigo do amigo do amigo conhecia o World of Warcraft (WOW).

Um belo dia, visito o Edson César e pra minha surpresa o tal jogo estava lá instalado. Era final de 2005 e o fim das noites sem ter o que fazer. Nem precisei de conta guest, comprei o serial key do jogo, pois na selva loja alguma vendia tal maravilha.

O jogo é extremamente fácil de instalar, inclusive não tem proteção alguma. Inocentemente, instalei uma cópia com o CD-KEY comprado no Mercado Livre. E então lá estava eu em Azeroth.

Eu nunca fui um grande jogador em absolutamente nada. Não jogo bem basquete, voley ou futebol. Nunca fui o melhor jogador de jogo algum. Não sei aonde eu estava com a cabeça ao começar a jogar WOW.

Um anão caçador, claro, chamado Minguado (que outro nome dar pra um pobre anão...). E assim começou o vício. Tudo girava em torno do WOW e quanto tempo faltava para jogar novamente. Todo dia várias horas, inclusive minhas férias inteiras, tudo para "uppar" o anão.

Entrei numa Guilda (grupo de jogadores do WOW) chamada "Kings under the Mountain", lógico que só anões podiam participar. Alias, para quem joga WOW: já repararam o pé direito de Iron Forge? Acho que um dos maiores do jogo inteiro... e numa cidade de anões, grandes colunas vem para compensar algo.

O jogo é extremamente viciante e você acaba fazendo uma das duas coisas: ou chama seus amigos para jogor ou joga seus amigos fora e se dedica a guilda. Eu acabei por viciar outros amigos, já que Azeroth é um lugar perigoso para uma pequeno anão andar sozinho.

Minguado passou a lutar com Quidor (César) e Festrati, também anões. Nível após nível, milhões (~4.000.000) de pontos de experiência depois, chegamos ao nível 60, o limite na época.

O engraçado disso foi o efeito em nossas vidas. De repente quem não jogava WOW era completamente alienado, por fora do mundo. WOW era assunto preferido em festas, almoços e jantares. Nossas esposas chegaram a fazer o clube das "Viúvas do WOW"...

Isso tudo piorou quando em algum momento encontramos os "Southern Cruzaders". Imaginem só, uma guilda só de brasileiros ou de pessoas que falam português. Não precisa dizer que agora tínhamos um exército completo em Azeroth. Uma guilda para fazer os temíveis "dungeons" do jogo. Todas as noites eram de combates intermináveis em Zul´Gurub. Boss após boss, estávamos lá. Recomendo a guilda para quem deseja não ver novela e se alienar completamente deste mundo :-)

Acho importante ressaltar o momento WOW, já que jogo há quase dois anos. O tremendo esforço de jogar um MMORPG na floresta. Manaus não tinha fibra ótica, parece que agora já tem. Eu tinha um poderoso link de 600 Kb em casa (via satélite), com nada menos que 1600 ms de latência pros servidores do WOW. Era como jogar pelo correio. Perfeito para meus reflexos de pedra, mas terrível pros pobres coitados que faziam missões comigo. PvP ? Nem pensar. Eu avistava o pessoal da Horda, em segundos eles estavam batendo muito perto, no outro slide eu já estava morto... mas parece que agora está bem melhor. Mesmo na era da Internet, continuamos sendo prejudicados por este tipo de coisa. Como poderemos alimentar nossos vícios eletrônicos sem uma rede rápida? Já falei que a net aqui na Bélgica é muito boa? Não? Claro que eu não vim para cá por causa da Internet, ou será que vim...

O vício continuou até eu me mudar para Bélgica. O fuso horário me impediu de entrar em contato com o pessoal da Guilda e acabei ficando impossibilitado de jogar com os amigos no Brasil. Preciso dizer que agora jogo nos servidores europeus? Curado do complexo de inferioridade, ou não, criei outro caçador, night elf, em Spine Breaker. Mas não jogo mais que umas 4 horas por mês. Tenho tempo agora para cortar a grama e dar atenção para família.

Bem, tudo que sei é que jogando menos consegui tempo para várias outras coisas. WOW é muito bom, mas como tudo tem que ter limites. No início deste ano, foi lançada uma expansão para o jogo... e agora todos foram para o nível 70 e em busca de seus dragões e mounts voadoras...

Se você ainda não sacou o quanto a coisa é viciante, visite WOWDetox. E lembre-se, a melhor maneira de parar é nem começar :-)

LSK
Ex-Minguado, Predak


Welcome to the Jungle

Este blog é para os amigos de Manaus e todos que se aventuram nas florestas da informática.

Muitas vezes, isolados da selva Amazônica pré-Internet, descobriram suas paixões por tecnologia. Filhos da Zona Franca e netos da revolução, tiveram acesso ao Atari, Coleco, Odyssey e outros bichos da época. Criados com leite "Sanden", importado, assim como suas pasta de dentes "Crest"... buscavam de todas as formas encontrar soluções para coisas que ninguém se importava na década de 80.

Se você teve um Apple II ou um MSX e aprendeu a programar seu G21 com o super OTR... bem vindo à selva.

Para nossa própria alegria, tecnologias estranhas nunca pararam de aparecer. Estamos aqui para provar que existia vida inteligente antes da Internet :-) e que a selva hospedou e hospeda vários viciados em tecnologia.

LSK
PS: E também para provar que existe vida após o WOW :-)